15/09/2019

DE GÉNOVA PARA A COSTA ADRIÁTICA

Após uma viagem de cerca de 400 kms, chegámos, no dia 15 a meio da tarde, ao camping já nosso conhecido em Bellaria na costa adriática, lugar em que tínhamos encontro programado com familiares e amigos, que viajaram de avião de Lisboa para Bolonha e depois de carro até ao 'Happy Camping', onde haviam previamente marcado um bungalow.
A semana seguinte foi de viagens, visitas a monumentos e refeições partilhadas, que deram novas cores às nossas férias.
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14/09/2019

CAMOGLI. ALIÁS, CHIAVARI...

Dia 14... passeio até Camogli, com o objetivo de ver o famoso centro histórico e o porto de pesca, talvez até almoçar nalgum restaurante perto do Mar. Objetivo pateticamente frustrado. O trânsito denso mais a inexistência de qualquer lugar de estacionamento que tenhamos descoberto expulsaram-nos da cidade alguns minutos depois de nela termos entrado. 
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A inspiração alternativa foi escolher uma cidade pouco turística, mas costeira, onde fosse provável encontrar oferta culinária centrada no peixe. Seria uma compensação através do turismo gastronómico.
Optámos por Chiavari, uns quilómetros a sudeste, após termos como alvo um restaurante selecionado através do TripAdvisor. Revelou-se a escolha perfeita. ‘Il Mio Ristorante’, localizado numa zona feia, de prédios feios e ruas com odores suspeitos, onde só foi possível estacionar num terreno meio entulheira meio cemitério de carros, motas e bicicletas, mas com uma placa a advertir ‘Consentito 1 ora’.
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‘Il mio Ristorante’ é uma pérola no meio da desgraça estética daquela zona de Chiavari. Instalado num belo edifício antigo, coberto de hera e ladeado de espaços verdes com árvores velhas, oferece cozinha ‘de autor’, de que apreciámos um aromático e saboroso ‘antipasto’ de lagostins, camarão, mexilhão e amêijoas, depois diretamente um ‘secondo piatto’ de dourada (de mar) feita no forno à maneira lígure. Preciosos!
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13/09/2019

GÉNOVA

Dia 13 integralmente dedicado a um renovado passeio pela cidade, apanhando o comboio para ir de Pegli à Piazza Principe.
Percurso a pé em direção à Via Garibaldi (a Strada Nuova), com a sucessão de edifícios de fascinante arquitetura, vários deles ‘Palazzi dei Rolli’. 
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Na Piazza delle Fontane Marose, para onde se abre a nascente a Via Garibaldi, apanhámos um autocarro de circuito turístico, o que nos permitiu uma panorâmica das zonas centrais, de que selecionámos duas para depois percorrermos a pé: a da 'Cattedrale di San Lorenzo' e sua envolvente, depois a da longa Via XX Settembre, outra montra de grandiosidade arquitetónica, de prédios com belíssimas galerias, na qual passámos por duas igrejas interessantes, a de 'Santo Stefano' e a ‘della Consolazione’.
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Mesmo colado à segunda das referidas igrejas está o MOG, o ‘Mercato Orientale di Genova’, no qual entrámos, e cujo centro, ladeado pelas bancas de frutas, legumes, peixe, carne, queijos e enchidos, leguminosas, especiarias, etc., é ocupado por uma “piazza del gusto”, com múltiplos balcões de restaurantes, onde se escolhe e se leva para uma das mesas no espaço central. No MOG funcionam ainda uma escola de cozinha e uma escola de panificação.
Após o almoço, de gastronomia de ‘fruti di mare’, fizemos a pé o percurso de regresso à Piazza Principe, passando ao longo do Porto Antico. Entre o porto de pesca, o Aquário, um Museo del Mare encerrado e sem um só aviso a explicar porquê, uma irrupção de kitsch... um galeão de piratas! Construído para Polanski fazer o filme com esse nome, tão medíocre e desastroso quanto o próprio galeão, uma espécie de furúnculo no porto de Génova.
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DE MONTPELLIER PARA GÉNOVA

Viagem de 515 km entre Montpellier e Génova, no dia 12. Com o conforto mental de, nesta vez, termos um ponto de chegada e estada já conhecido do ano passado, o 'Campeggio Villa Doria', no topo da colina no bairro de Pegli. Jantar leve, na caravana.
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12/09/2019

ARLES

Partida para Montpellier na manhã de dia 10. Distância relativamente curta, cerca de 300 km, mas sempre no meio de trânsito denso e sob o mesmo vento forte. Decidimos ficar, em vez de sair até à cidade, como teríamos feito não fossem a chuva, o vento e o frio exteriores, no camping - 'Montpellier Plage', em Palavas-les-Flots, já conhecido de férias anteriores. Mais rigorosamente, não saímos sequer da caravana, à volta de uma ‘pizza quatre fromages’...

Dia 11 dedicado a Arles, tornada famosa por aí ter vivido Vincent van Gogh. Estacionamento difícil e caro! Uma vez resolvida essa questão, passeámos a pé pelas ruelas, subindo do Boulevard Georges Clemenceau pelo Jardin d’Été, que no topo confina com o 'Théatre Antique'.
Depois, ‘les Arènes’, o anfiteatro romano, com muito trabalho de restauro executado em materiais claramente modernos.
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Logo após a Place de la République, com a Mairie e uma invulgar igreja de mistura dos estilos românico e neoclássico, a 'Église Primatiale de Saint-Trophime'.
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Dentro do átrio do próprio edifício da Mairie encontra-se o acesso ao ‘Criptopórtico, pórtico de entrada para as fundações do Forum romano. 
Umas impressionantes galerias em catacumba que apenas chegavam à superfície no topo norte do Forum, dado o desnível do terreno.
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Estando na cidade feita famosa pela efémera presença de van Gogh, seria natural a visita à ‘Fondation’ com o seu nome, guardiã de quatro quadros do pintor. Vimos ainda na Fondation uma exposição temporária de Niko Pirosmani, pintor georgiano de finais do Séc. 19, início do Séc. 20.
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Em Arles encontrámos por casualidade uma exposição de algumas obras, óleos e pastéis, de Francine van Hove, a pintora da luminosidade da pele feminina.
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11/09/2019

BLANES


Na segunda-feira, dia 9, saída para Blanes. Chegámos cerca das 19:30, após viagem de 775 km, a mais longa programada para estas férias.
Em Blanes, jantar no ‘Hong Kong’, restaurante nosso conhecido de 2018, com a simpática proprietária, os gatos e umas acidentais inglesas embriagadas. Apenas estas não permaneceram...
Uma tempestade que começou por uma trovoada sobre o Mar, em múltiplas direções, e evoluiu para chuva intensa, que martelava o tejadilho da caravana numa cacofonia de muitos decibéis. Trovoada e chuva, batida a vento forte, mantiveram-se durante toda a noite, pelo que dormir era quase impossível.
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08/09/2019

TOLEDO

Partimos para Toledo, cidade que não visitávamos há tantos anos, que a memória da beleza do centro histórico quase se tinha esbatido. Chegámos ao 'Camping El Greco', a Oeste da cidade, antes de se atravessar o Tejo, mas pertíssimo, ao fim da tarde. Instalado tudo, toldo aberto, cadeiras de campismo abertas, etc., fomos até ao centro, naquela hora em que a luz dá às pedras da muralha e das portas da cidade magníficos tons de um dourado claro.
Pelas ruas que rodeiam o 'Alcázar', dirigimo-nos à Plaza Zocodover, um dos pontos de circulação e paragem de toda a gente, toledanos e turistas, rodeada de prédios e arcadas, com muitas esplanadas. Aproveitámos para tirar algumas fotografias aos edifícios que a rodeiam e ao 'Arco de la Sangre' e sentámo-nos por lá uns largos minutos, antes de, pelas ruas e vielas do centro histórico, irmos até ao Restaurante 'Alfileritos 24', escolhido através do TripAdvisor. Situado num enorme espaço resultante da reabilitação integral de uma casa palaciana típica toledana, com estruturas que datam dos séculos XIV a XVI, foram usados o vidro e o aço na sua reconstrução e na ligação dos 4 pisos que o compõem, dando ao conjunto um ar surpreendente. A cozinha é criativa e o polvo que eu escolhi (con mole de maíz tostado, flor de alcachofa y avellanas) estava de excelente sabor e textura.
O nome da rua - descobrimos na net - deve-se a um pequeno altar da 'Virgen de Alfileritos', uma virgem casamenteira e que ajudará as mulheres que, procurando noivo, juntamente com as suas orações lhe oferecem alfinetes. Estas peculiares e divertidas oferendas resultam de uma lenda que envolve idas dos homens para as guerras, ausências por Itália, Flandres, Índias e saudades das mulheres que ficavam, especificamente de uma jovem que depois de muitos sonos sacrificados à custa de alfinetadas para acordar e ir rezar à virgem, obteve as graças solicitadas, isto é, o regresso do seu amado.
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Começámos o dia seguinte por um percurso de autocarro turístico, que ofereceu uma panorâmica geral da cidade, com passagem por vários monumentos e pontos de interesse.
Almoçámos mais uma vez no  centro histórico, num restaurante que alia um serviço agradável e pratos bem confecionados a preços verdadeiramente baratos: a 'Taberna El Gallo'.
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O ponto alto do dia e desta estada na cidade foi a visita com guia à enorme e magnífica catedral. A 'Dives Toletana' (la rica de Toledo) ou 'La Giganta', assim chamada pelo escritor Vicente Blasco Ibáñez num dos seus  livros, é a Catedral Primaz de Espanha.
Uma catedral imensa e fascinante, interminável nos fatores de interesse, dos quais percorremos e observámos pouco mais de meia dúzia: a gigantesca porta dupla principal; uma capela rica de esculturas, invulgarmente construída quase no centro da nave no lugar onde terá sido o altar de uma igreja visigoda, anteriormente edificada naquele espaço; o coro, enorme e magnífico de lavor; o altar de impressionante altura e riquíssimo de esculturas e pinturas; a sacristia com um teto pintado por Giordano Bruno, por vezes chamado de "pequena capela Sistina", com um quadro de El Greco, 'O espólio', cujos "defeitos" causaram ao tempo a sua rejeição pela Igreja; a grande custódia, etc.
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